A Black Friday deixou há muito de ser um fenómeno distante centrado em eletrónica e moda. Hoje é um dos maiores eventos de consumo do ano, responsável por uma fatia muito relevante das vendas globais de e-commerce. Ao mesmo tempo, a saúde, beleza e bem-estar têm ganho peso.
Ou seja, os seus clientes já estão a comprar mais saúde e bem-estar nesta altura. A questão é simples: vão fazê-lo na sua farmácia… ou noutro lado qualquer?
O desafio não é transformar a farmácia numa “loja de saldos”, desvirtuando a credibilidade técnica. O objetivo é posicionar a Black Friday como um momento de acesso facilitado à saúde e ao bem-estar, com rigor clínico e marketing inteligente.
O que a Black Friday na farmácia deve (e não deve) ser:
Não é guerra de preços em tudo
A Black Friday em farmácia não deve significar desvalorização dos produtos mas de forma consciente ter condições especiais nos produtos de Dermocosmética, Suplementação e bem-estar, dispositivos médicos de autocuidado.
Compras conscientes, não consumo impulsivo
Estudos com consumidores mostram que uma parte crescente das pessoas usa Black Friday para compras mais racionais, com cerca de 38% dos clientes a afirmar que só compra o que realmente precisa e 28% a dizer que evita compras por impulso.
Isto encaixa como uma luva na proposta de valor da farmácia: aconselhar escolhas certas, não empurrar produtos.
Alinhar saúde, bem-estar e sustentabilidade
No universo wellness, começa a ser claro que a típica lógica de “descontos agressivos a qualquer preço” entra em choque com os valores de equilíbrio, responsabilidade e consumo consciente. A farmácia tem aqui um posicionamento diferenciador: promover autocuidado responsável, com campanhas que façam sentido clinicamente.
Mas o que podemos fazer de diferente na Black Friday?
1. Podemos manter o nome, mas porque não “Semana da Saúde+”
Em vez de uma única sexta-feira, trabalhe uma semana temática com foco em saúde:
- “Semana da Imunidade de Inverno”
- “Semana do Sono e Gestão de Stress”
- “Semana da Pele Sensível e Rosácea”
Dessa forma consegue diluir o fluxo de clientes, planear melhor stocks e equipas e comunicar com mais profundidade em cada tema.
2. Bundles e serviços em vez de descontos unitários
A ideia pode passar por construir bundles, ou packs, com a “terapêutica completa”, por exemplo, um pack imunidade com vitamina D + complexo imunitário + spray nasal.
Ou até vouchers de serviço, onde por compras superiores a um determinado valor podemos oferecer uma sessão de aconselhamento dermocosmético.
E o resto do ano?
A Black Friday é útil não só pelas vendas, mas porque funciona como campo de testes acelerado de conceitos de marketing e gestão de categorias, do que funciona com os nossos clientes e do que não funciona e como podemos fazer a diferença.
De facto, períodos concentrados de promoção são um bom termómetro de comportamento do consumidor e sensibilidade ao preço.
Então o ideal será replicar o que estamos a testar na Black Friday, por exemplo:
- “Regresso às aulas” (setembro): foco em imunidade infantil, concentração, rotinas de sono;
- “Primavera da pele” (março/abril): alergias, pele sensível, proteção solar precoce;
- “Semana do Coração” (fevereiro ou maio): tensão arterial, colesterol, cessação tabágica;
- “Outubro Rosa / Novembro Azul”: oncologia, saúde da mulher e do homem, rastreios.
Para garantir que funciona terá de definir com tempo as propostas de valor e desenhar as mesmas. Depois envolver a equipa e os clientes, orientando uma comunicação concertada com os mesmos e depois gerir e medir o sucesso das campanhas e ações, medindo os resultados
Assim a Black Friday pode ser uma semana onde consegue chegar melhor ais clientes, promovendo para mais literacia em saúde, equipas mais confiantes e um modelo replicável para outras épocas-chave do ano.
Se isso acontecer, então não teve apenas uma boa Black Friday. Teve um salto estratégico na forma como a sua farmácia pensa a experiência do cliente!
