Ao longo dos anos e por termos trabalhado com tantas farmácias diferentes é interessante perceber o impacto do verão na dinâmica das mesmas.
O verão continua a ser uma altura de descompressão e descanso para muitas pessoas, mas é também um período em que a farmácia enfrenta alguns desafios interessantes. Mas a sua farmácia está realmente preparada para o verão?
Para algumas farmácias, estes meses trazem menor afluência, menos clientes habituais e equipas reduzidas por férias. Para outras, sobretudo em zonas turísticas, balneares, centros comerciais ou áreas com forte circulação de visitantes, o verão pode representar o pico de atendimento do ano. Em ambos os cenários, a preparação deixou de ser apenas comercial e envolve a gestão de equipa, comunicação digital, serviços farmacêuticos e capacidade de resposta a necessidades sazonais.
Pensando nas farmácias que entram numa fase aparentemente mais calma, o verão pode ser encarado como uma oportunidade para testar novas dinâmicas, reforçar a relação com a comunidade e preparar o último quadrimestre do ano com mais dados, foco e consistência.
A quebra de clientes ou a mudança do perfil dos mesmos
Muitas farmácias continuam a sentir uma redução no número de clientes habituais durante julho e agosto. No entanto, importa analisar não apenas a quantidade de atendimentos, mas também o perfil da procura: turistas, famílias em férias, clientes de passagem, pedidos de aconselhamento rápido, necessidades relacionadas com viagens, exposição solar, hidratação, alergias, picadas, saúde digestiva e medicação crónica.
Se a sua farmácia vive uma quebra sazonal, a pergunta deve ser: o que estamos a fazer para continuar relevantes para quem fica, para quem regressa e para quem nos visita pela primeira vez? Campanhas de verão, packs temáticos, rastreios rápidos, ações de aconselhamento, montras orientadas por necessidade podem fazer a diferença.
Nem todos os clientes vão de férias em agosto. Muitos continuam a precisar de acompanhamento, confiança e proximidade. Por isso, uma farmácia que reduz demasiado a sua atividade comercial, digital e comunitária pode transmitir a ideia de que também ela entrou em pausa.
A equipa: menos pessoas, mais planeamento
Todas as funções críticas da equipa têm backup? Antes das férias, é essencial garantir substituições claras para encomendas, receção de produtos, atendimento, gestão de lineares, campanhas comerciais, serviços farmacêuticos, comunicação digital e acompanhamento de indicadores. O verão não deve depender da disponibilidade informal de “quem estiver” e deve estar estruturado desde o início.
A presença digital deve manter cadência e não basta publicar por publicar, é importante planear conteúdos úteis, locais e acionáveis. Exemplos: “o que levar no kit de praia”, “quando renovar o protetor solar”, “como conservar medicamentos durante viagens”, “sinais de alerta de desidratação”, “cuidados a ter nas ondas de calor” ou “o que fazer em caso de picada”. Sempre que possível, as publicações devem encaminhar para aconselhamento na farmácia e aqui ferramentas como a IA podem ajudar a otimizar o nosso trabalho.
Os objetivos comerciais também não devem ficar suspensos e dessa forma garantimos que não se perde o foco em bons atendimentos e boas vendas.
Caso ainda não exista costumamos apoiar na criação de guiões especialmente dedicados à estação em que estamos a viver, que vão desde o aconselhamento no caso de exposição solar, a problemas de saúde mais frequentes no verão, picadas e preparar a mala do viajante.
Podemos ir um pouco mais além e criar outras abordagens tais como Packs Praia, Packs Festival, Kits Viagem, Sol Sénior, Sol Criança ou “Mala de Férias” que podem ser úteis, construídos com critério, comunicação clara e foco real na necessidade do utente.
Serviços farmacêuticos e saúde pública no verão
Num mundo cada vez mais tecnológico, precisamos de reforçar a importância das farmácias comunitárias como ponto de contacto de proximidade. A farmácia pode aproveitar o verão para divulgar serviços, clarificar horários, promover adesão terapêutica e com mais calma ajudar os seus clientes.
Este é também um bom momento para preparar a campanha de vacinação, rever formação, fluxos de atendimento, comunicação aos utentes e articulação com a comunidade.
A rentrée começa antes de setembro
Uma das tarefas poderá ser a preparação da rentrée, que vai para além dos produtos sazonais e pode passar por conseguir realizar pequenas formações internas, rastreios diferentes aos clientes, ações com parceiros locais, preparar campanhas de regresso às aulas, de vacinação, de gestão de terapêutica crónica e acompanhamento de utentes mais vulneráveis.
O verão é também uma boa altura para revisitar ideias que ficaram em stand by, como melhorar a sinalética da farmácia, reorganizar categorias, atualizar as fichas de clientes e perfis comerciais, medir resultados de campanhas anteriores, rever protocolos de atendimento e preparar novas parcerias.
Depois das férias, a energia regressa, mas precisa de direção, por essa razão devem aproveitar-se todas as oportunidades para aumentar a motivação da equipa, reunir, discutir e explorar novos caminhos para que os últimos meses do ano sejam um sucesso.
