Rentrée na Farmácia, e agora?

Setembro marca a rentrée, embora em algumas farmácias se dê o contrário por ser a época mais movimentada, a maioria viveu estes meses com a equipa mais reduzida, com menos clientes, e com alguns projetos parcialmente suspensos durante o verão.

Setembro marca o início do último quadrimestre do ano e uma oportunidade para recuperar o foco, corrigir o que não está a resultar e mobilizar a equipa para terminar o ano com mais energia e melhores resultados.

Depois das férias, seria tentador acreditar que todos regressam automaticamente motivados e energizados. Mas nem sempre isso acontece! Há horários para reorganizar, tarefas e pendentes que se acumularam, objetivos ainda distantes e uma época particularmente exigente a aproximar-se. A energia não aparece por magia nem se resolve com uma frase inspiradora afixada no quadro da equipa. Constrói-se através de clareza, organização, envolvimento e da perceção de que ainda é possível fazer a diferença.

Começar por fazer um balanço

Antes de definir novas ações, importa perceber o ponto de partida. Como evoluíram a faturação, a margem, o número de atendimentos e o valor médio de venda? Que categorias tiveram melhor desempenho? Que serviços foram procurados? Que campanhas ficaram aquém do esperado? O que ficou pendente de implementação?

Este diagnóstico não deve ser um exercício complexo nem reservado ao responsável, mas apostar numa reunião curta com a equipa pode ajudar a identificar o que correu bem, o que deve ser corrigido e quais as oportunidades para os quatro meses seguintes. O objetivo não é fazer uma autópsia ao ano até agora, mas reunir informação suficiente para decidir onde concentrar esforços.

É também o momento de abandonar iniciativas que consomem tempo sem gerar resultados. Nem tudo o que foi planeado em janeiro continua a fazer sentido em setembro. Focar implica escolher e, inevitavelmente, deixar algumas ideias para mais tarde.

Transformar objetivos anuais em metas próximas

Um objetivo para dezembro pode parecer distante. Um desafio para os próximos 30 dias é mais fácil de compreender e executar.

A farmácia pode dividir o último quadrimestre em quatro ciclos mensais, cada um com prioridades claras. Setembro poderá centrar-se no regresso às rotinas e na recuperação de clientes; outubro, na prevenção e vacinação; novembro, na preparação das campanhas de inverno e Natal; e dezembro, na fidelização e fecho do ano.

Para cada ciclo devem ser definidos poucos indicadores: atendimentos, adesão a um serviço, produtos de foco, margem ou recuperação de clientes inativos. A equipa precisa de saber o que se pretende, por que razão é importante e qual o seu contributo. Quando existem dez prioridades, geralmente não existe prioridade nenhuma.

Recuperar energia através do envolvimento

A energia da rentrée não vem apenas das férias. Vem também da possibilidade de participar, sugerir e assumir responsabilidades.

Em vez de apresentar um plano completamente fechado, poderá lançar uma pergunta à equipa: “O que podemos fazer nos próximos quatro meses para melhorar a experiência do cliente e terminar o ano com um resultado de que nos orgulhemos?”

As respostas podem surpreender. Quem está diariamente no balcão conhece as perguntas dos clientes, identifica falhas nos processos e percebe oportunidades que nem sempre chegam à gestão. Importa depois transformar as melhores sugestões em compromissos concretos, com responsáveis, prazos e acompanhamento.

Reconhecer pequenas conquistas também ajuda a manter o ritmo. Não é necessário esperar pelo resultado anual para dar feedback. Celebrar uma boa semana, a adesão a um rastreio, a recuperação de clientes ou a melhoria de uma categoria reforça os comportamentos que queremos repetir.

Criar motivos para o cliente regressar

A rentrée também acontece do outro lado do balcão. Os clientes retomam o trabalho, a escola, as rotinas familiares e algumas preocupações de saúde adiadas durante o verão.

A farmácia pode responder com iniciativas simples: um “Check-up do Regresso”, uma campanha sobre sono e gestão do stress, rastreios, aconselhamento nutricional, preparação da imunidade ou revisão das rotinas de autocuidado. Mais do que colocar produtos num expositor, importa construir uma abordagem coerente, comunicar em vários canais e preparar a equipa para explicar o valor da iniciativa.

As fichas de clientes podem ainda ajudar a identificar quem poderá beneficiar de cada serviço ou campanha. A comunicação segmentada é mais relevante do que enviar a mesma mensagem para toda a base de dados.

Terminar em grande começa agora

Os últimos quatro meses não servem apenas para tentar recuperar números. Servem para consolidar processos, reforçar competências, aproximar clientes e preparar o ano seguinte com mais informação.

Terminar em grande não significa lançar muitas campanhas, sobrecarregar a equipa ou correr atrás de todos os indicadores. Significa escolher bem, executar de forma consistente e acompanhar os resultados.

A rentrée pode ser apenas mais um regresso à rotina. Ou pode marcar o momento em que a farmácia recupera o foco, mobiliza a equipa e transforma quatro meses numa verdadeira reta final. A diferença estará menos na energia com que se começa e mais na disciplina com que se continua.

Se quiser saber mais sobre como ajudamos as farmácias a conseguirem este foco e assertividade, envie uma mensagem para geral@topperformers.pt.